A estética oitentista de O Fim da Rua me conquistou logo na primeira cena. Há algo imediatamente simpático naquela atmosfera, que parece prometer uma aventura familiar com viagem no tempo, dinossauros e diversão. Por alguns minutos, o filme parece saber exatamente o que quer ser. O problema é que, depois disso, praticamente nada funciona para mim.
O que mais incomoda é uma história que parece avançar muito mais por conveniência do roteiro do que pelas decisões dos personagens. Os acontecimentos precisam acontecer, então o filme encontra maneiras artificiais e, às vezes, patéticas de fazê-los acontecer. No meio disso, temos intrigas familiares batidas e temas apresentados, mas raramente desenvolvidos de forma satisfatória.
É especialmente frustrante lembrar que David Robert Mitchell conhece tão bem o terror. Com dinossauros à disposição, O Fim da Rua tinha uma oportunidade enorme de transformar essas criaturas em ameaças realmente assustadoras. Mas Mitchell parece ter medo de explorar justamente aquilo que poderia tornar o filme interessante. Não há uma sequência de terror memorável, nem uma sensação consistente de perigo. Existe uma vibe à la Jumanji que funciona em alguns momentos, mas a aventura nunca encontra personalidade própria.
Há uma cena, inclusive, em que dei um riso sincero — não porque fosse engraçada, mas pelo absurdo da situação, em um nível “Jason Statham dando um soco no tubarão”. O curioso é que, logo depois, o filme tenta transformar aquela mesma situação em um momento dramático. O resultado é involuntariamente hilário.
Seria injusto dizer que O Fim da Rua não tem charme. A pegada anos 80 é genuinamente agradável, e existe uma simplicidade na proposta que me faz imaginar uma versão do filme que poderia ter funcionado muito melhor. Consigo perfeitamente enxergar uma versão mais nova de mim sentado diante da televisão, numa tarde qualquer, assistindo a isso na Sessão da Tarde e adorando cada minuto.
Talvez esse seja o maior problema: O Fim da Rua parece ter chegado até mim tarde demais.
Há filmes que envelhecem conosco e continuam funcionando porque encontramos novas camadas neles. Este não foi o caso. A criança que eu fui provavelmente teria se divertido com a mistura de família, viagem no tempo e dinossauros. O adulto que assistiu agora só conseguiu enxergar as oportunidades desperdiçadas.