Homem-Aranha: Um Novo Dia é tudo aquilo que um filme do homem-aranha deve ser

03/08/2026

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Como um grande fã do Homem-Aranha, sempre tive a impressão de que é preciso se esforçar muito para fazer uma história do herói ser realmente ruim. Peter Parker é um daqueles personagens que funciona em praticamente qualquer mídia. Mesmo quando um projeto tropeça em algumas escolhas, o carisma do personagem costuma ser suficiente para manter tudo de pé.

Felizmente, Homem-Aranha: Um Novo Dia não precisa depender apenas disso. O novo filme é divertido, leve, emocional na medida certa e entende exatamente o equilíbrio que tornou o Cabeça de Teia um dos heróis mais queridos da cultura pop.

A sensação durante boa parte da sessão é a de estar folheando uma HQ clássica do personagem, com um Homem-Aranha mascarado finalmente assumindo o protagonismo da narrativa, enquanto Peter Parker aos poucos ganha espaço para viver seus conflitos cotidianos. O filme ainda abre espaço para participações de outros personagens do universo Marvel, mas sem deixar que elas roubem a cena. Pela primeira vez em muito tempo, a história parece realmente interessada em acompanhar Peter, e não apenas usá-lo como peça de um quebra-cabeça maior.

Não que tudo funcione perfeitamente, ainda existe um grande texto gritando “ei, sou um filme do MCU” em praticamente cada cena, e essa assinatura poderia ser um pouco mais discreta. A trilha sonora também deixa a desejar, sem entregar um tema realmente memorável para acompanhar essa nova fase do herói. Além disso, existe uma falta de drama na cena inicial e um furo de roteiro logo no começo do filme que acaba chamando atenção mais do que deveria (mas talvez estes dois últimos pontos sejam só uma implicância minha mesmo).

Ainda assim, a mudança de direção é evidente. Destin Daniel Cretton aplica um carinho muito maior pelo Homem-Aranha do que nos filmes comandados por Jon Watts. A nova abordagem parece compreender melhor quem é Peter Parker e o que faz suas histórias serem tão especiais, deixando o personagem respirar sem a necessidade constante de conectá-lo a eventos maiores.

Outro grande acerto está nas referências visuais. As homenagens aos quadrinhos, aos jogos e às adaptações anteriores são feitas com criatividade e respeito, funcionando como pequenos presentes para quem acompanha o herói há anos. Não são apenas referências gratuitas: elas ajudam a reforçar a identidade do personagem e mostram que existe um entendimento genuíno de sua trajetória.

Por fim, gosto como a trajetória de Cabeça de Teia sempre acompanha seu público. Se o drama do Peter de Tobey Maguire eram as dificuldades financeiras da vida adulta, a jornada do Peter de Tom Holland passeia por temas como saúde mental e a perca de identidade para o trabalho excessivo. Existe uma solidão presente com o jovem-adulto Parker que casa muito bem com o caminho trilhado para a personagem de Sadie Sink (ótima atriz, por sinal) e até mesmo do Frank Castle de Jon Bernthal – que mais uma vez se monstra um excelente coadjuvante capaz de potencializar seu protagonista.

Homem-Aranha: Um Novo Dia pode não ser perfeito, mas entrega exatamente aquilo que eu esperava de um filme do herói: aventura, diversão, emoção e, acima de tudo, a sensação de estar acompanhando mais uma grande história do amigão da vizinhança. É um recomeço que demonstra muito mais amor pelo personagem e que deixa boas expectativas para o futuro dessa nova fase.

Nota: 4,5/5,0