Vamos ser sinceros: esse foi um episódio chatinho. Pouca coisa acontece, o ritmo é arrastado, mas o final é essencial. E, finalmente, depois de uma demora absurda, Manousos e Carol estão prestes a se encontrar. O cara praticamente teve que morrer para chegar até esse momento. Agora fica a dúvida: esse encontro vai ser o verdadeiro ponto de virada da série… ou vai ser uma decepção total, com Carol definitivamente escolhendo ficar do lado dos PLURIBUS.
E, sendo honesto, isso não seria nenhuma surpresa. Carol está extremamente bipolar: em um momento ama os Pluribus, no outro os odeia e jura que vai acabar com tudo. Às vezes nem parece ideologia — parece necessidade. E aí entra um mérito enorme do Gilligan em Pluribus: ele entende muito bem a necessidade humana de afeto, contato, sentimento e empatia. Mesmo alguém como Carol, que no começo parecia completamente vazia emocionalmente, não escapa disso.
Desde o primeiro episódio, acompanhamos essa transformação. Carol começa como uma mulher amargurada, fechada, quase sem sentimentos, e aos poucos se torna alguém visivelmente carente de afeto. Isso fica muito claro na relação dela com Zojia. Primeiro, quando Carol explode a bomba e a machuca — e logo em seguida se arrepende, fica triste, abalada pelo que fez. Depois, muito tempo depois, vem aquele abraço forte, com Carol chorando nos braços de Zojia. E agora, neste episódio, o relacionamento delas evolui ainda mais. Mesmo Zojia sendo uma deles, a série mostra com muito cuidado e delicadeza a necessidade sexual e emocional de Carol. Isso é humano. Isso é real.
Mas é exatamente aí que mora o perigo.
Independente de Carol estar mudando e ficando cada vez mais sentimental, fica claro que os Pluribus querem isso. Eles precisam que ela se torne mais emocional, mais vulnerável, porque assim fica mais fácil manipulá-la. A própria Carol percebe isso — e surta na cafeteria. Um ambiente claramente construído para mexer com ela, com nostalgia, com memória afetiva, com emoções. Tudo calculado para entrar na cabeça dela.
O que eu mais quero é que ela não caia na lábia deles. Não acho errado ela querer se relacionar, querer afeto, sexo, conexão. Isso é necessário. O corpo humano pede isso. Diferente deles, que não precisam de nada disso porque não são humanos. E é justamente por isso que fica essa pulga atrás da orelha. Carol é diferente dos outros sobreviventes. E parece que, “domando” ela, tudo muda. O mundo muda.
Agora resta esperar o encontro com Manousos e ver como a primeira temporada vai se encerrar. Espero que esse encontro não seja só simbólico, mas o verdadeiro início da resistência — e não mais uma vitória silenciosa dos Pluribus.















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