Com o som de um temporizador começa o episódio. Enfim, Manousos Oviedo entra em cena. Lembra dele? O paraguaio que xingou Carol quando ela o telefonou no segundo episódio, enquanto voltava para casa após seu encontro com os não infectados. Oviedo é um dos doze que não foram infectados pelo vírus. Talvez seja até o mais parecido com Carol: ele também evita falar com os Pluribus e se recusa a comer a comida que eles deixam para ele, preferindo ração de cachorro a se juntar ao coletivo. Bastaram apenas dez minutos e dez segundos para introduzi-lo de fato na série. Será que ele será importante no desenrolar dos acontecimentos? E como ele vai conseguir se comunicar com Carol sem precisar da ajuda dos Pluribus?
Depois de Carol explodir uma granada e ir parar no hospital junto com Zojia, vemos Carol — já recuperada — querendo voltar para casa. Ao chegar, encontra uma viatura da polícia. E quando a deixam em frente à sua residência… surpresa: eles estão consertando e limpando tudo. Inclusive um rosto familiar para ela. Quem? Simplesmente o prefeito da cidade, o mesmo a quem ela garantiu seu voto. Coincidência ou não, é ele quem está servindo a ela naquele momento. Surge também Larry, que se voluntaria para responder algumas perguntas de Carol. Perguntas que poderiam magoá-la, mas que eram necessárias para tirar uma pulguinha atrás da orelha: eles realmente são 100% sinceros? Eles nunca mentem? No quadro “O que eu sei sobre eles”, está escrito que não mentem. Mas será mesmo? Nenhuma omissão? Nenhuma dissimulação? Larry é um bom exemplo disso: sempre dando voltas, desviando, evitando responder diretamente.
De volta ao hospital para ver como Zojia está, Carol tem uma ideia brilhante: usar heroína para se drogar? Não. Usar anestesia para fazer alguém falar tudo o que vem à mente. E isso nos leva à melhor cena do episódio: o final. Antes, claro, é preciso testar. Carol coloca a câmera para gravar e aplica a anestesia em si mesma. Dá para ver a vergonha dela ao assistir a si mesma falando um monte de bobagens sob o efeito da droga — mas a empolgação supera o constrangimento. Funciona. Seria ótimo se fosse sempre assim, né? Uma anestesia e pronto: toda a verdade sai.
Mas com Zojia não foi tão simples. E é aí que temos a melhor cena: um suspense sufocante, um terror psicológico ao ver a opressão dos Pluribus se aglomerando ao redor de Carol e da Zojia anestesiada. Mesmo com medo, Carol sabia exatamente o que estava fazendo. “Zojia, responde minha pergunta: vocês sabem se uma pessoa consegue deixar de fazer parte de vocês?” Claro que ela não iria simplesmente responder — senão a série acabaria ali, não é mesmo? E mesmo Carol pedindo para que eles se afastassem, os Pluribus só se moveram o mínimo necessário. Ainda assim, a proximidade deles, aquele mar de pessoas olhando fixamente, era sufocante. Como um vírus se aglomerando e formando uma célula infectada. Que cena incrível!
E então vem o impacto final: Zojia morre. Será que dessa vez vão conseguir salvá-la? Se todos os Pluribus sentem as mesmas coisas, por que somente ela está morrendo? Por que só ela sente aquilo?
Tantas perguntas surgem — e todas apenas aumentam nossa vontade de continuar essa série incrível que Pluribus está se tornando. Tantos mistérios, tantos porquês, tantas camadas ainda a serem reveladas. Sem dúvidas, em apenas quatro episódios, já se consolida como uma das melhores séries do ano. E a cada capítulo ela fica ainda melhor. Não é à toa que Vince Gilligan passou oito anos trabalhando nela.














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