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    Juntos falha em ser terror, romance ou qualquer outra coisa

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    Juntos é um daqueles filmes que parecem prometer muito nas sinopses e materiais de divulgação, mas que, ao final, deixam a sensação de vazio — e não no bom sentido. O longa poderia ter sido muitas coisas: um horror visceral, um terror psicológico sufocante, até mesmo uma comédia romântica torta sobre a perda da individualidade dentro de um relacionamento.

    O problema é que ele apenas arranha a superfície dessas possibilidades sem nunca se firmar em nenhuma. O gore, por exemplo, é vendido como parte da proposta, mas falta justamente aquilo que o define: a repugnância visual, a crueza gráfica que dá peso e desconforto. A camada mais interessante do roteiro — a metáfora do casal que perde sua identidade em nome da fusão — até aparece, mas é explorada sem profundidade suficiente para carregar a obra.

    É impossível não se lembrar de A Substância, que fez exatamente o que Juntos tentou, mas falhou. Enquanto na sensação do último Oscar havia firmeza de tom, risco estético e uma costura narrativa sólida, aqui temos um fiapo de ideias mal aproveitadas, sustentadas por um passado dos personagens que soa desnecessário e nunca realmente impacta o presente da trama.

    Sem personalidade, o roteiro de o diretor Michael Shanks carece de criatividade e se banha em clichês que qualquer espectador já viu dezenas de vezes no gênero. A cena de abertura com figurantes servindo de “exemplo” do que acontecerá aos protagonistas, o clássico vídeo explicativo que surge do nada em uma sala só para preencher lacunas narrativas, entre outros recursos preguiçosos, fazem a experiência soar reciclada e nada ousada. É uma colagem de convenções narrativas sem identidade própria.

    O par central — interpretado por Dave Franco e Alison Brie, casal também na vida real — poderia ter sido a âncora emocional que salvaria a experiência. Mas a química, ao invés de pulsar, evapora. O que vemos é um homem birrento de meia-idade e uma mulher apática atravessando uma relação arrastada que não desperta vontade de acompanhar. Sim, isso até confere alguma credibilidade ao desfecho, mas, ironicamente, não transforma a jornada em algo minimamente envolvente.

    Em suma, Juntos é uma obra perdida em sua própria indecisão: não assusta, não choca, não emociona. É o tipo de filme que, quando os créditos sobem, deixa a dúvida sincera se não teria sido mais proveitoso investir o tempo em qualquer outra coisa.

    Nota: 4/10

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