Good Fortune, traduzido no Brasil como Quando o Céu se Engana, é aquele tipo de filme que não incomoda — mas também não surpreende. A direção e o roteiro de Aziz Ansari (em sua estreia com longas) trazem um toque de humor e leveza a uma história que recicla um velho dilema: a vida pode ser dura financeiramente, mas há riquezas que dinheiro nenhum compra.
Na trama, um anjo interpretado por Keanu Reeves decide intervir na vida de um homem comum (o próprio Ansari) e o faz trocar de corpo com um milionário vivido por Seth Rogen. A proposta, embora batida, ainda carrega certo charme. É um ótimo filme para se ver em família, ou simplesmente quando se quer desligar o cérebro e deixar a história correr sem exigir muito.
O trio principal funciona muito bem junto — há química, ritmo e um bom timing cômico. Mas o maior acerto, sem dúvida, está na escalação de Keanu Reeves: sua serenidade natural o torna perfeito para o papel de um ser celestial que, ironicamente, acaba se tornando um humano viciado em nicotina. É um toque espirituoso que dá vida ao personagem e ao filme.

Ainda assim, o filme tropeça na própria ambição. Ao tentar equilibrar comédia e reflexão, ele se perde entre os dois tons. Há bons momentos de humor e até lampejos de crítica social, mas o final lembra que tudo aquilo é, no fim das contas, uma ficção leve demais para gerar real impacto. Talvez se o filme bebesse mais da comédia exagerada e tentasse se levar menos a sério, superaria o patamar de ser apenas mornamente aceitável.
No balanço geral, Quando o Céu se Engana é um filme simpático, com boas intenções e um elenco carismático, mas completamente acorrentado em clichês. Entre o riso e o sermão celestial, o resultado é honesto: agradável de assistir, fácil de esquecer.
⭐ NOTA: 5/10














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